Hoje, 16 de setembro, é aniversário de um dos últimos gigantes vivos da gaita blues de Chicago: Billy Boy Arnold completa 91 anos.

William “Billy Boy” Arnold nasceu em Chicago em 1935, um dos dezesseis filhos de uma família numerosa. Ainda adolescente, em 1948, teve aulas informais de gaita com ninguém menos que Sonny Boy Williamson I — pouco antes de o próprio Sonny Boy ser assassinado. Aprender direto com uma lenda logo no início da vida na música já diz muito sobre o caminho que ele seguiria.
Gravou pela primeira vez em 1952, “Hello Stranger”, para o selo Cool — foi aí que ganhou o apelido “Billy Boy”, dado pela própria gravadora. Três anos depois, em 2 de março de 1955, estava na mesma sessão em que Bo Diddley gravou “I’m a Man” para a Checker Records, com sua gaita ajudando a moldar o som do rock and roll que nascia. No mesmo dia, gravou uma composição própria, “You Got to Love Me”.
Foi pela Vee-Jay Records, no fim dos anos 1950, que Arnold gravou as duas músicas pelas quais é mais lembrado até hoje: “I Wish You Would” e “I Ain’t Got You”. Anos depois, os Yardbirds regravaram as duas; David Bowie regravou “I Wish You Would” no álbum Pin Ups (1973); a banda Sweet fez sua própria versão em 1982. Poucos gaitistas de blues podem dizer que ajudaram a escrever, sem saber na hora, parte da trilha sonora da chamada British Invasion.
Como aconteceu com tantos bluesmen da geração dele, os palcos escassearam nos anos 1960. Arnold seguiu tocando quando podia, mas também trabalhou como motorista de ônibus e como agente de condicional para sustentar a família. Só nos anos 1970 sua carreira como artista voltou a engrenar de verdade — gravou uma sessão para a BBC Radio 1 com John Peel em 1977 e voltou a rodar a Europa.
Dali em diante, não parou mais: álbuns pela Alligator Records (“Back Where I Belong”, 1993, e “Eldorado Cadillac”, 1995), depois pela Stony Plain e pela Electro-Fi ao longo dos anos 2000 e 2010, incluindo discos-tributo a Sonny Boy Williamson e a Big Bill Broonzy. Em 2021, publicou a autobiografia “The Blues Dream of Billy Boy Arnold”, em parceria com o escritor Kim Field. E em maio de 2024, já com 88 anos, foi finalmente induzido ao Blues Hall of Fame, na categoria Classics of Blues Recording, justamente por “I Ain’t Got You” — a mesma música que os Yardbirds tornariam famosa décadas mais tarde.
Hoje ele é chamado por gente da cena de “o decano da gaita blues de Chicago” — e, ao contrário de tantos nomes que a gente resgata aqui no Journal, ele ainda está entre nós para contar essa história em primeira pessoa. Abaixo, um registro dele tocando “I Wish You Would” ao lado de Phil Alvin:
Toda vez que escuto uma trajetória como essa — um menino que aprendeu a tocar gaita com Sonny Boy Williamson I e décadas depois viu sua própria composição virar hino do rock nas mãos dos Yardbirds e de David Bowie — lembro por que essa corrente que é o blues importa tanto. Parabéns, Billy Boy Arnold.
— Ale Ravanello